O dia que descobri que eu pertenço ao mundo



10.01.2017


Desde que tenho idade suficiente pra me considerar gente, lembro que Paris estava presente como meu maior anseio. A ideia de conhecer os lugares boêmios descritos nos livros dos grandes autores, a graça das mulheres francesas, os cafés nos fins de tarde durante o verão… Tudo isso me parecia sempre muito distante, para o futuro.

A oportunidade surgiu durante meu intercâmbio na Irlanda, em 2011, e Paris foi,  sem dúvidas, meu primeiro destino logo após me mudar para Dublin. Cheguei na capital francesa em um dia nublado, porém glorioso. Em alguns cantos da cidade, o sol se revelava por entre as nuvens.

O sonho tinha se tornado realidade, e eu não poderia estar mais excitada. Tanta coisa para ver, para fazer, para sentir e eu não queria perder um minuto. Imediatamente após a chegada, coloquei meus fones de ouvido com músicas que transbordam emoções, a câmera no pescoço e me atirei nos braços da cidade.

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Île aux Cygnes, próximo à Pont de Bir-Hakeim @rechpoly

Sabe a coisa mais incrível que descobri? Paris é exatamente como descrevem, e a experiência pode ser tão apaixonante quanto almejamos. A estadia deve ser saboreada. Você deve perder-se  pelas ruas do bairro latino Quartier Latin, tomar um café enquanto vê o mundo passar, entender o mapa de metrô, e estar ciente de que à primeira vista ele vai te assustar mesmo e está tudo bem. E só então sentirá aquilo que todos falam, mas poucos realmente sentem.

Entre tantos lugares que indico, meu maior amor é o local em que tive minha primeira revelação. É uma praça minúscula, chamada René Viviani, ao lado da livraria Shakespeare & Company. Logo após chegar à bookstore, que foi o lar de diversos autores geniais (em outro post posso contar um pouquinho sobre a alma desse lugar), comprei Orgulho e Preconceito, numa versão maravilhosa de capa dura, um café para viagem, e me sentei em um banco nessa praça.

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Praça René Viviani, por @p_atriciacruz

Eu senti a brisa leve bater no rosto, suspirei ao notar a vista da majestosa catedral de Notre Dame, me encarando. Tudo que eu podia sentir era a emoção de estar exatamente onde queria desde os meus 10 anos. Naquele momento caiu a ficha. Eu estava em Paris! Com apenas 18 anos, nada de experiência, sozinha e uma vida toda de possibilidades à minha frente. Algo dentro de mim mudou nesse dia.

Chopin disse que Paris responde à tudo que um coração deseja, e eu desejava pertencer. Acabei descobrindo, naquele momento, que eu pertencia ao mundo. 

E é, por isso, que depois de passar por mais de 30 países ao longo dos últimos 5 anos, venho passar para vocês tudo o que aprendi e vivi, sendo mulher e viajando sozinha por esse mundão. Eu darei continuidade ao segmento de viagens do blog. Estarei compartilhando histórias, algumas indiadas, emoções, dicas e fotografias que falam mais que mil palavras.

Espero que a minha passagem por esse blog seja uma experiência tão especial para vocês quanto será pra mim.  E logo de cara, já lhes digo: joguem-se! Não há absolutamente nada de errado em estar sozinha na cidade mais romântica do mundo e nem em qualquer outro canto do globo. Vivam, sintam e abracem o mundo sem medo de ser feliz, porque ele, de fato, é grande demais para você nascer, viver e morrer no mesmo lugar.

Pont des Arts @rechpoly

Um brinde (no pôr do sol lá de Paris) à essa nova etapa e até a próxima. 

 

Polyana Rech Escrito por:
Polyana Rech

2 comentários

  • Natty

    10 de janeiro de 2017

    Amei o texto.. Polly, lendo seu texto, deu vontade de jogar tudo para o alto e IR PARA O MUNDO!
    Obrigada por dividir suas avenuras!

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  • Angélica

    10 de janeiro de 2017

    Show Poli!

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